José Saramago
DO COMO E DO QUANDO
E quando não se calam os protestos
do sangue comprimido nas artérias?
e quando sobre a mesa ficam restos,
dentaduras postiças e misérias?
E quando os animais tremen de frio
olhando a sombra nova de castrados?
e quando num deserto de arrepio
jogamos contra nós cartas e dados?
E quando nos cansamos de perguntas,
e respostas não temos, nen gritando?
e quando às esperanças aqui juntas
não sabernos dizer como nem quando?
José Saramago (xuño 2003)